A dinâmica social espelha a nossa existência interior do nosso Self. No processo de crescimento individual, especialmente durante períodos de mudanças significativas no organismo e na mente de uma pessoa, como durante a adolescência, quando se procuram respostas sobre a sua própria identidade, e se tenta afirmar no mundo como um ser distinto e único, com características próprias, é fundamental nesse processo de individuação, que se tenha acesso a recursos que ajudem a tomadas de decisões conscientes, e awareness sobre o seu mundo interno e meio social.
Fortalecer o nosso Self serve para ajudar cada pessoa a compreender-se, a aceitar-se e a compreender melhor como expressar estar com os seus sentimentos e emoções de forma saudável.
Uma experiência mal resolvida ao nível emocional pode-se transformar num trauma, e desenvolver comportamentos não adequados.
O trauma resulta do ajuste psíquico e físico, que uma pessoa faz em relação a uma experiência que não consegue integrar, porque precisa escapar do que não quer sentir, levando a estados de dissociação. Quando não existe uma resposta coerente e um entendimento psíquico-emocional aceitável daquilo que nós como seres humanos consideramos saudável do resultado de uma experiência, a pessoa inconscientemente dissocia do que não quer sentir.
O que a pessoa tenta não sentir, são justamente as emoções com as quais não sabe lidar, causando sofrimento e frustração, gerando estados de ansiedade. Estes estados podem ser ativados inesperadamente em determinadas situações, sem a awareness consciente da pessoa, e em situações da vida diferentes daquelas que causaram o trauma, o sofrimento e desconexão. A pessoa sente que precisa manter-se o mais longe possível dessas emoções, evitando o contacto com tudo o que a volte a fazer sentir semelhanças com a experiência negativa, porque inconscientemente a pessoa sente que o contacto com essas emoções vai colocá-la em perigo.
No ajuste ao trauma, a pessoa dissocia e desconecta de tudo o que pode voltar a ativar as mesmas emoções experienciadas, e faz inconscientemente um ajuste ao seu comportamento, que ao longo do tempo se torna mais rígido. Normalmente, as pessoas só sentem que alguma coisa não está bem com elas, mas não sabem explicar bem porquê. Surgem sintomas ao nível físico, com ataques de pânico, a pessoa tem dificuldades com o seu cônjuge, está sempre fatigada, surgem doenças do sistema imunológico, tem insónias, ou o seu sistema nervoso simpático e parassimpático dominam o organismo sem controlo, com respostas automáticas ao nível fisiológico e de comportamento.
